16 de Maio de 2012

Maré Alta de 16 de maio de 2012


Na encruzilhada da Europa


São complicados os tempos que a velha Europa vive. Desde a criação da moeda única, foi fácil ver que os principais critérios de estabilização do Euro não iriam dar bom resultado, basta ver a quem interessa mais um Euro forte nos mercados cambiais.

Mas o verdadeiro descalabro começou a verificar-se há cerca de 5 anos atrás, quando os líderes europeus delegaram todas as decisões da Europa em Merkel e Sarkozy e estes passaram, descaradamente, a defender os interesses dos mercados e dos grandes interesses financeiros internacionais em detrimento dos legítimos direitos dos povos europeus.

Tendo as agências de raiting como capatazes, rapidamente semearam uma austeridade devastadora sobre países periféricos mais expostos à ganância dos mercados. Em Portugal, Grécia, Irlanda, Itália e agora em Espanha trataram de empobrecer as populações, destruir as economias e acabando por impor uma nova espécie de escravatura. Pior, em Itália e na Grécia, atreveram-se a substituir governos eleitos democraticamente por tecnocratas com perigosas ligações aos interesses financeiros.

Mas não se pode governar eternamente contra o povo.

Na Grécia, o povo demonstrou nas urnas aquilo que há muito manifestava nas ruas, que não aceita este destino que lhes é imposto sob chantagem da sua troika. Também na França o povo mostrou que quer mudar de rumo e retirou o poder absoluto a Sarkozy, devolvendo também a esperança numa nova Europa.

Merkel perdeu a sua moleta europeia e somou a oitava derrota consecutiva do seu partido em eleições regionais na Alemanha. Depois desta clara demonstração de vontade de mudança, é uma questão de tempo até Merkel perder todo o poder que tem.

Os povos de vários países manifestaram claramente que querem um novo rumo, uma nova esperança de que os seus governantes democraticamente eleitos governem em função das pessoas e não em função de mercados sem rosto e sem o mínimo respeito pela dignidade de milhões de pessoas.

Também em Portugal é preciso uma mudança clara nos destinos do país. É intolerável esta espiral recessiva que atira milhares para o desemprego e para a miséria enquanto alguns ficam cada vez mais ricos. Não se pode aceitar que sejam os trabalhadores e reformados os mais sacrificados apenas como um troféu do governo juntos dos seus mandantes da troika.

Em breve teremos eleições autárquicas, será a primeira grande oportunidade de mostrar, democraticamente, que as opções da direita não servem os interesses da maioria da população.


 

Crónica publicada no jornal Opinião Pública de 16/05/2012

7 de Maio de 2012

Assembleia Municipal de 04/05/2012

Intervenção na Assembleia Municipal de Vila Nova de Famalicão de 04 de Maio de 2012, na discussão e votação do relatório da Comissão eventual de análise da situação sócio-económica no Município de Vila Nova de Famalicão.

(Foi aprovada uma recomendação para que o relatório seja disponibilizado no site da Câmara Municipal)


Boa noite

· Manifestar o privilégio de poder integrar uma comissão desta natureza.

· Felicitar o relator (Deputado Vitor Moreira). Não nos impôs um relatório mas permitiu que todos os grupos municipais participassem na sua elaboração, apesar de não concordarmos com tudo no relatório.

· Antes de entrar na analise do relatório final, apresentar algumas notas prévias sobre o funcionamento da comissão:

· Aspetos positivos e negativos:
  • Negativos: Alguns elementos da comissão, em algumas audições mostraram um certo desprezo, para não dizer falta de respeito por alguns dos convidados.  Outro ponto negativo foi tempo que durou esta comissão, os intervalos de tempo entre as audições, a elaboração do relatório e esta votação. O facto de não ter sido possível ouvir a Segurança Social.
  •  Positivos: A abertura da Assembleia Municipal a um leque alargado e diversificado de instituições e a possibilidade de ficarmos com uma visão suficientemente alargada da realidade do nosso concelho.

A vitória de François Hollande

é muito mais importante para a Europa que para a própria França. Esta mudança poderá criar um novo equilibrio europeu que possibilite uma mudança na forma como o velho continente tem sido gerido.
 
 




22 de Março de 2012

A Polícia ao serviço da contra informação de um regime.

Na vida não há coincidências, no final do dia da greve geral do passado dia 24 de Novembro, as notícias que mais chamaram a atenção da comunicação social foram distúrbios e agressões em frente ao Parlamento. Bem analisadas as imagens e vídeos, verificou-se que os causadores desses desacatos eram polícias à paisana.
Hoje, nova greve geral, novos desacatos, mas os mesmos protagonistas: a Polícia. Não restam dúvidas de que estas ações da Polícia são premeditadas e executadas de forma a criar "uma nuvem de fumo" que desvie a atenção das pessoas das razões da greve para estes incidentes. Isto é típico de regimes ditatoriais.
Uma vergonha!!!!!

 

6 de Fevereiro de 2012

Daqui até ao verão...

O "querido lider" deste país ainda é bem capaz de se lembrar de acabar com essa "velha tradição" a que chamamos férias....Mais um pouco e lembra-se também de acabar com a velha tradição das eleições.


16 de Janeiro de 2012

Carta aberta a António Cândido Oliveira

Escreveu o ilustre António Cândido Oliveira neste jornal na semana passada que há poucos artigos de opinião na imprensa local e pergunta “Que andam a fazer os 99 membros da Assembleia Municipal? E os 10 vereadores da câmara?”. Antes de mais, quem desconheça as competências e funções dos eleitos locais, poderá deduzir pelas suas palavras que exista alguma obrigação de os eleitos terem de escrever e publicar artigos de opinião na imprensa local, o que não é verdade. Não se pode aferir a desempenho dos eleitos locais por artigos de opinião que eventualmente possam publicar, recomendo uma leitura atenta das notícias das reuniões da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal e das referidas atas. Lembro ainda que a internet é hoje um poderoso meio de divulgar opinião já utilizado por alguns eleitos.

Também eu concordo que poderia e deveria haver mais artigos de opinião, eles podem ajudar a despertar consciências sobre os mais diversos temas da nossa vida coletiva e dessa forma melhorar a perceção das pessoas sobre a nossa realidade. No entanto, também não é totalmente verdade que os jornais locais tenham disponibilidade para publicar artigos de todos os eleitos. Eventualmente poderá ter acontecido de alguém ter escrito e enviado algum artigo para um jornal que não tenha sido publicado.
No mesmo artigo, é questionado se a oposição local existe ou se anda a dormir. Não sei se Cândido Oliveira apenas considera o PS como oposição local ou se desconhece a realidade e a atividade dos restantes partidos que não estão no poder. Da parte que diretamente me diz respeito, o Bloco de Esquerda tem sido uma oposição empenhada, atenta, responsável e próxima da população. Apenas nos últimos meses, destaco as posições públicas do BE sobre os problemas com a iluminação pública, a análise da reforma administrativa e a denúncia da precariedade de muitos funcionários municipais. Mas se quiser conhecer todas as atividades e posições do BE Famalicão recomendo uma visita a http://www.befamalicao.com/.

As prioridades e a agenda dos diversos partidos não têm forçosamente que ser as mesmas de António Cândido Oliveira e não é justo ignorar todo o trabalho que os partidos desenvolvem. Apesar disso, deixo aqui o meu reconhecimento por todo o empenho deste ilustre famalicense na discussão de tantos assuntos importantes para Famalicão que tem vindo a promover ao longos dos últimos anos.


José Luís Araújo
(Membro da Assembleia Municipal)
(Texto publicado no jornal O Povo Famalicense em 10 de Janeiro de 2012)
"O mal dos seres humanos, é que preferem ser arruinados pelos elogios, a ser salvo pelas críticas."